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Medicina digital: esteja preparado para a telessaúde e para o paciente

Sabe-se que a medicina digital já vinha se desenvolvendo e ganhando forças em vários campos, como o de interação entre profissionais e uso de Big Data para melhorar a gestão de dados dos pacientes. Contudo, a rapidez com que a disseminação do novo coronavírus tomou proporções globais fez com que os processos de teleatendimento em saúde se tornassem imperativos e afetou também outros campos, como o de análise de dados a distância com ajuda de wearebles e gadgets enviados a pacientes, por exemplo.

Segundo a National Academy of Medicine (NAM), responsável pelo patrocínio do programa Telehealth and Telemedicine: accelerate change in the era of pandemic (Telessaúde e Telemedicina: mudança acelerada na era de uma pandemia), a adoção de consultas por meio da telemedicina ampliou a acessibilidade ao cuidado e o monitoramento de pacientes por meio de biomarcadores digitais. Como exemplos, a NAM cita:

  • Gravações de frequências cardíacas enviadas por pacientes;
  • Registros de temperatura feitos por gadgets;
  • Padrões de sono;
  • Sinais de mudanças comportamentais.

Por outro lado, o programa também evidenciou as disparidades do cuidado em saúde, que atingem, principalmente, a minoria das populações. No caso dos Estados Unidos, local em que o trabalho foi coordenado, as minorias étnicas e raciais apresentaram maior dificuldade de acesso à medicina digital através de teleconsultas em razão das limitações de uso da internet.

Segundo a NAM, cerca de um em cada três adultos não tem internet banda larga em casa, nos Estados Unidos. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2019, revelou que 18,8% da população não tem acesso à internet banda larga móvel – que prevalece na maioria dos domicílios do país. 

Ainda assim, as perspectivas para a área de saúde são positivas e é preciso estar preparado tanto para superar os desafios atuais que se desenharam quanto para progredir na prestação do cuidado com o paciente.

Como a medicina digital tem melhorado o cuidado com o paciente?

Um artigo publicado pelo departamento de medicina da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), traz parte dessas respostas.

O material traz exemplos que vão desde o uso de aplicativo para treinar comunidades em situação de vulnerabilidade no Haiti e na Índia a prestarem atendimento de emergência até o uso de Google Glass para auxiliar a interpretação de expressões de outras pessoas por parte de crianças com autismo severo.

Neste último caso, os pesquisadores de Stanford projetaram diferentes formatos de jogos que se conectam, através de um aplicativo, ao Google Glass e permitem que as crianças identifiquem as emoções no rosto de adultos com interações de emojis. De acordo com um dos autores do estudo e associado da Stanford Medicine, o professor de pediatria e ciências de dados biomédicos, Dennis Wall, o dispositivo evidenciou melhora do contato visual, da consciência emocional e da capacidade de entender e apreciar as emoções nos pacientes

De que modo a medicina digital tem mudado a rotina dos médicos?

As transformações da medicina digital não atingem os profissionais apenas no modo como eles passam a se relacionar com pacientes. Se antes o aprimoramento na carreira médica exigia a presença física em congressos e cursos – algumas vezes até em locais distantes – atualmente essa necessidade foi substituída por um modelo de educação continuada em que os profissionais devem ser protagonistas da própria educação, assim como preconiza a metodologia ativa. Isso significa que cursos de extensão, congressos on-line e hackathons são expressões que fazem parte da nova realidade educacional de quem atua na área da saúde.

E não é apenas o modo como o profissional conduz sua própria educação que deve ser modificado. De acordo com um encontro promovido pela consultoria norte-americana ZS, especializada no desenvolvimento de soluções de mercado para áreas de saúde, tecnologia e mercado financeiro, há uma tendência – e necessidade – de elaboração de estudos híbridos e descentralizados em saúde.

Para entender como eles poderiam funcionar, a consultoria perguntou a profissionais dos Estados Unidos e da Europa como eles poderiam utilizar a tecnologia em prol das suas necessidades, ou seja: desenhos de estudos clínicos, resultados clínicos, tecnologias, análise de dados, práticas regulatórias, privacidade, segurança de dados, entre outros fatores. As conclusões indicaram que, com configuração correta de plataformas, projetos de desenhos de estudos para que funcionem de maneira descentralizada, engajamento e envolvimento da equipe de estudo como parte da experiência digital, a descentralização de estudos já está bem próximo de se tornar uma realidade cada vez mais frequente.


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